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Home Archive for março 2016
"Em treinamentos de grupo, homens são 75% mais propensos a falar do que mulheres, e quando uma mulher fala, é estatisticamente provável que seus colegas homens irão interrompê-la ou falar mais alto do que ela. Não é porque são rudes, é ciência. A voz feminina é cientificamente comprovada de ser mais difícil para um cérebro masculino registrar.
O que isso significa? Significa que, neste mundo em que homens são maiores, mais fortes, mais rápidos... se você não estiver pronta para brigar, o silêncio irá te matar.
Não deixe o medo te silenciar. Você tem uma voz, então use-a. Fale. Levante suas mãos. Grite suas respostas. Faça-se ouvir. Seja o que for, ENCONTRE SUA VOZ e, quando o fizer, preencha o maldito silêncio."
— Meredith Grey, Grey's Anatomy


Nós, mulheres, sabemos o quanto é difícil ser ouvida na sociedade. O nosso “não” não vale nada. Inventam formas de convencer o mundo de que o nosso não, na verdade, é sim. O nosso talvez, com certeza, é sim também. Não temos o direito de não querer alguma coisa. O nosso argumento também é invalido. Se um homem repete exatamente o que você disse, as chances dele ser ouvido no teu lugar são infinitamente maiores do que as de você receber algum crédito pelo que acabou de dizer. Nossas revoltas são consideradas “surtos”. Somos chamadas de loucas.

Fazem o possível para que, realmente, pareçamos loucas. E às vezes, até, nos sintamos loucas.
Em resumo, ser mulher e querer ter voz, querer opinar, querer discutir é, basicamente, uma luta por dia. Matar um leão por vez. Toda mulher (e quando digo TODA é porque eu realmente desconheço uma que nunca) já passou por uma situação na qual aquilo que ela dizia simplesmente não era levado em consideração.

Na verdade, isso começa cedo, lá naquela festinha, aos 11 anos, na qual um cara chega na menina, querendo alguma coisa a mais e ela diz: “na boa? Eu não to afim”. E o cara pergunta: “mas você namora?” como se fosse a única desculpa possível para que você não estivesse afim dele. Porque claro, como é que uma mulher na Terra poderia não estar afim dele?

Então você precisa justificar. Mas não é qualquer justificativa não. Se o argumento não for um namorado – e se esse namorado não estiver presente para PROVAR que você está dizendo a verdade – não vale. Ele vai continuar te perturbando a noite toda. Quem nunca ouviu um “eu só te solto quando você me beijar?”

E a gente costuma achar que é normal. Com essa idade, eu achava que era uma fase, que os meninos eram assim mesmo, que era engraçado usar uma aliança de mentira só pra poder ter um pouco de paz ao sair com as amigas sem nenhuma outra pretensão. E, de verdade, eu achava que ia passar. Eu achava que as coisas mudariam um dia.

Mas aí a gente cresce pra se deparar com a mesma situação, de novo e de novo e de novo. A gente cresce para receber ataques – verbais, físicos, psicológicos - todas as vezes em que dizemos “não”.

Não quero. Não vou. Não estou afim.

Ninguém aceita. As mulheres não tem o direito de não querer (ou de querer) alguma coisa. As mulheres não podem ter vontades próprias.

Então, a gente vai descobrindo que, além de não escutarem as nossas vontades, de não aceitarem os nossos desejos, também não aceitam as nossas opiniões. Só quem é mulher sabe, realmente, o que isso significa e quais são as consequências de ser desacreditada constantemente. O tempo todo. Você argumenta, você sabe, você mostra e, ainda assim, muitas vezes não é suficiente. E você nota, ainda, que se um cara disser exatamente o mesmo que você disse, ele com certeza será mais ouvido do que você.

E é por isso que as mulheres negam tanto que homens se proclamem feministas. Porque o espaço é nosso, o movimento é nosso e, toda vez que um homem fala, ele é mais escutado que nós: que sofremos assédio, que temos medo de estupro, que não temos voz. E as pessoas não tem ideia do quão prejudicial isso é. Estão constantemente tentando desacreditar nossos argumentos justificando que somos “loucas”. Desequilibradas. E isso não é só com as mulheres que se “assumem” feministas, mas sim com todas nós. Qualquer coisa que você ouse dizer que, de qualquer forma, tire o privilégio do homem – seja estar certo em uma discussão, “perder” (em argumentos num debate, um cargo, o que seja) para uma mulher, não poder chamar uma desconhecida de “gostosa” no meio da rua – automaticamente farão o possível para que seja ignorado.

Entende por que você não é ouvida? Porque você é completamente histérica.

Imagem do Google - Catraca Livre
Não somos. Nós temos direito de conquistar todos os espaços que desejarmos. Nós temos o direito de falar o que bem entendermos. Nossa opinião importa, assim como nossas vontades importam também.

Não me calo mais.

Antes me chamarem de feminista “louca”, do que de mulher omissa.


* todos os termos “louca” foram colocados entre aspas porque eu detesto o uso do mesmo, mas em nome da realidade, não tive como fugir.
[AVISO DE GATILHO: este texto contém palavras que podem servir de gatilho e lembrar-lhe de momentos ruins, relacionados ao tema relacionamentos abusivos; caso não ache que vá conseguir ler sem se magoar, deixe no canto e volte quando se sentir melhor, tá bem? <3]

[AVISO: este texto não trata somente de relacionamentos heterossexuais; onde se lê "ele", pode ser lido "ela" também]

Dia desses, pensando sobre relacionamentos abusivos e suas implicações, perguntei num grupo do qual faço parte, voltado pro feminismo, uma coisa bem simples, com um resultado não tão surpreendente (mas não menos triste e significativo):



Não, não sabemos ser amadas. Quando 115 mulheres dizem que já estiveram em um relacionamento abusivo, o que essas 115 mulheres estão dizendo é que, em algum momento de suas vidas, alguém as fez acreditar que humilhação, dor, tristeza e ansiedade eram sinônimos de amor. Alguém, no meio do caminho, pegou-as pela mão e jogou-as no fundo do poço sob a capa do amor sem limites. Não, não sabemos ser amadas.

Estar em um relacionamento abusivo é como uma montanha russa. Em um momento tudo parece bem, numa calmaria que se mantém constante por algum tempo. Aí, de repente, as coisas não-estão-tão-bem e podem se materializar em socos, pontapés ou palavras "simples" que, à primeira vista, parecem cheias de boas intenções. O carrinho sobe, sobe, sobe e depois ele desce, em alta velocidade. "Nunca mais volto a permitir que isso aconteça", "este relacionamento não serve mais para mim".

Depois, vem de novo a calma. Tudo bem de novo. Flores, pedidos de desculpas e juras de amor eterno. "Talvez ele mereça uma nova chance", "eu gosto tanto dele" e "eu também poderia ter feito isso e isso diferente". Vai ver ele só falou da minha roupa porque eu poderia mesmo ter usado outra coisa. Quando ele me chamou de vagabunda, ele só estava com a cabeça quente. Ele não quis mesmo me bater, mas é da natureza dele ser agressivo.

Inventamos desculpas para continuar acreditando que isso é amor e que amor é isso mesmo: é sofrer, mas perdoar; é apanhar, mas insistir; é chorar, mas ceder. Amor é sofrimento.

Não é consciente, mas também não é sem motivação. Somos criadas para achar que amor sem sofrimento não é amor, em todos os cantos. Dia desses, vi pelo facebook uma mensagem que viralizou com os dizeres: "Te abraçaria mesmo que eu fosse um balão e você um cacto". Um sinal vermelho saltou na minha mente. A romantização do amor doentio está dentro de nós de tal forma que passamos a achar que é PROVA DE AMOR sentir dor. E a coisa toda é tão bizarra, que as mesmas pessoas que incentivam o amor sofredor, depois apontam o dedo na cara de quem não consegue, por inúmeros fatores, "largar" o relacionamento abusivo.



Se sair parece difícil, o que vem depois também não fica atrás. Rihanna há alguns anos cantou: It's gonna take a miracle to bring me back (será necessário um milagre pra me trazer de volta). A pior parte de passar por um relacionamento abusivo é justamente esta: você não consegue mais distinguir quais atitudes suas são traços da sua personalidade ou cicatrizes daquele relacionamento. Você demora muito, muito tempo até conseguir se entregar novamente pra alguém. Você duvida de si mesma, coloca-se pra baixo, diminui-se, trapaceia-se. Você se questiona inúmeras vezes como foi tão burra por tanto tempo. Você faz de tudo e mais um pouco para evitar ficar tão vulnerável de novo. Você se isola dentro de si mesma em busca de alguma segurança e sabe plenamente que não está imune a passar por outra situação semelhante.

...E aí, como faz?

Conversando com uma amiga outro dia, ela disse que muito se questiona se é possível, de fato, haver algum relacionamento que não seja, em algum nível, abusivo. Disse a ela que nunca parei para pensar assim — e que é assustador perceber que a tendência é acreditar que não, não existe um relacionamento livre de abusos. Mas, depois de quase um ano lutando cá com as minhas cicatrizes, existe alguma parte de mim que ainda tenta ter esperança de que sim — e, se olharmos por outro ângulo: somos 115 que, hoje, conseguimos perceber que estivemos em relacionamentos abusivos; cá, do outro lado.

Estar em um relacionamento abusivo é horrível em todos os aspectos, mas te ensina muito sobre si mesma, sobre sua visão de mundo. Você passa a ter certezas absolutas sobre o que tolera e o que jamais irá tolerar novamente, e tem total consciência de que a pessoa que resolver se relacionar com você precisará entender e aceitar seus limites. Por algum tempo, você se pega pedindo desculpas até passar a aceitar que sua história não pode e não deve te causar vergonha ou medo — e que a pessoa que não está disposta a lidar com ela não tem mesmo qualquer motivo para permanecer na sua vida. Você determina. Você se coloca no comando.

Não, não sabemos ser amadas. Mas gosto de pensar que estamos no processo de aprender como queremos e merecemos ser amadas, com muita luta, pra então ensinar a todo mundo que tente se relacionar conosco que amor não é qualquer historinha que contam por aí e definitivamente não envolve dor.
[AVISO DE GATILHO: este texto contém palavras e relatos que podem servir de gatilho e lembrar-lhe de momentos ruins, relacionados ao tema gordofobia; caso não ache que vá conseguir ler sem se magoar, deixe no canto e volte quando se sentir melhor, tá bem? <3]

Chegou a hora de tocar na ferida mais uma vez: o feminismo não se importa igualmente com todas as mulheres. Eu sei que já falei sobre isso algumas vezes, a Rafa Amaro já falou sobre isso, mas, enquanto uma for prisioneira do discurso de outra, eu acho que a gente tem que continuar falando, sim. Porque discutir privilégios é essencial. Entender que, mesmo que mulheres, também podemos oprimir outras mulheres e reconhecer qual é o nosso papel diante disso é mais do que importante, é IMPRESCINDÍVEL, caso prezemos realmente por um feminismo que lute por todas e não somente algumas.

Vim falar de gordofobia, porque é um tema muito caro pra mim. Quando penso nesta palavra, lembro logo de um belo dia de sol em que, eu, sentada no meu canto na escola, no auge dos meus 12, 13 anos, ouvi de uma colega Regina-George-estilo-de-vida: "Olha, meninas, a baleia encalhou". É este cenário que me lembra, todos os dias, que meu lugar não é o mesmo que o dela. 

Sempre fui gorda. Gordinha não. Gordinha é mero eufemismo que as pessoas usaram, a minha vida inteira, na tentativa de soar menos cruel. Gordinha do rosto bonito, então, eu nem ouso comentar. Gorda é o termo. Fui gorda até meados dos 18 anos — hoje, não mais (e mesmo aqui é importante que eu reconheça isso). Explico. 


GORDA não é uma palavra ruim.

Até os meus 18 anos, eu não conseguia comprar roupa pra mim nas mesmas lojas que todas as minhas amigas. Eu precisava procurar lojas especializadas em "tamanhos maiores", "plus-size" ou seja lá qual o termo vocês queiram usar. Não ousava colocar os meus pés em lojas de departamento, muito menos naquelas mais caras que são tendência entre meninas de classe média ou alta, como Farm, Animale, etc. Eu sempre soube que aqueles não eram lugares para mim: "Aqui a gente não tem roupa para pessoas do seu tamanho" — o tom de voz mudava; as vendedoras me olhavam de cima abaixo enquanto diziam isso, com os olhos em chamas, quase como criando uma placa de "SAÍDA" inconscientemente (ou nem tanto)  me empurrando para fora. Comprar roupa, que sempre foi desenhado por Hollywood como o maior passa-tempo de uma garota, para mim era um pesadelo que quase sempre resultava em longas horas de choro. 

Outro motivo de constante dor de cabeça eram (e ainda são) idas aos médicos. A melhor lembrança que tenho para ilustrar isso foi quando resolvi ir à dermatologista tratar umas manchas que tinha no rosto, bem como minhas sardinhas. Sou sardenta e tenho a pele muito, muito branca, nasci assim, então invariavelmente preciso cuidar, o tempo inteiro, para evitar possíveis e prováveis doenças. A doutora não quis saber do que eu tinha a dizer, responder minhas dúvidas e me indicar um protetor solar. Tratou logo de me mandar pra balança e depois tecer inúmeros comentários sobre minha obesidade. Agora, vocês podem me dizer que obesidade e pele têm relação. Deve haver, sim. Mas qual era a necessidade real de passar mais de metade da consulta me "recomendando" comer melhor e me exercitar? Nunca fui de comer mal, aliás. No terceiro ano, minhas amigas magérrimas se alimentavam de arroz e batatas fritas enquanto eu comia salada, carne e um carboidrato por vez (perguntem a elas), muito porque eu sempre tive vergonha de comer arroz e batatas fritas de uma vez. Nunca me foi me dado o direito de comer como uma magra. Minhas taxas de sangue, pasmem vocês, nunca foram altas. Eu nunca tive absolutamente problema nenhum relacionado ao meu peso. Sempre fui de fazer muitos exercícios: vôlei, basquete, natação. Mas para aquela médica (e tantas outras e tantos outros com quem já tentei me consultar), o fundamental era falar sobre o meu peso.

Não entendo de medicina, mas entendo muito de gordofobia.

Nos 18, eu emagreci. Foram quase 20kg. Deus e eu sabemos o que eu fiz para conseguir chegar nisso, e minha saúde piorou muito. Mas eu emagreci 20kg. As pessoas passaram a comentar "MAGRA!"nas minhas fotos como se isso fosse um elogio. Foi, por algum tempo. Depois eu percebi que de nada me servia um elogio que apenas me lembrava da escravidão à qual eu fui submetida a vida inteira — e ainda estou; as amarras continuam aqui, elas só mudaram de aparência. Até hoje, se me perguntam, eu prefiro fingir que não estou com fome, do que comer qualquer coisa em um encontro. Prefiro fingir que estou satisfeita, que quero só um copo de água. Até hoje, eu não consigo fazer uma refeição sem lembrar dos mil e um comentários que ouvi a vida inteira. Eu acordo com o estômago em chamas e a garganta machucada, às vezes, porque prefiro enfiar o dedo lá no fundo a deixar que alguns quilos me façam voltar ao que já fui. Até hoje, eu não consigo usar short jeans ou blusa sem manga. E por mais que eu tente dizer a mim mesma que a maior revolução é amar o próprio corpo, não cola. 

Minha mente me engana. Eu tento, todos os dias. Mas minha mente sussurra, por vezes grita: "A baleia encalhou", "Aqui a gente não tem roupa para pessoas do seu tamanho"; "A baleia encalhou", "Aqui a gente não tem roupa para pessoas do seu tamanho"; "A baleia encalhou", ""Aqui a gente não tem roupa para pessoas do seu tamanho".

E qual o propósito desse texto? O que vocês têm a ver com isso? 

Vocês têm a ver com o discurso que propagam. Eu tento acreditar que não é por mal, mas, se vamos mesmo lutar por uma sociedade sem padrões, antes precisamos entender algumas coisas. Tentarei listar uns pontos que considero importantes e algumas falas que vocês precisam excluir do vocabulário. Venham comigo, ó:

  • "Mas eu não posso me sentir gorda?": não; gorda não é um sentimento; uma pessoa gorda não "se sente" gorda, ela é lembrada, 24 horas por dia, o tempo inteiro, por absolutamente todo mundo; ela não tem a opção se "se sentir" magra e se livrar de todos os julgamentos que enfrenta constantemente;
  • "Eu também sofro, eu sou muito magra": este ponto é o mais problemático e talvez um dos que mais ofenda quem é gorda, porque haja falta de empatia; não estamos negando que os padrões estéticos afetam, de uma forma ou de outra, absolutamente todas as mulheres; contudo, ser magra pode te gerar alguns conflitos internos, fazer com que você seja chamada de magrela aqui ou acolá, mas você nunca vai ser olhada com nojo pelas pessoas; você consegue sentar no ônibus e passar na catraca tranquilamente; você nunca vai precisar usar PANOS como vestimenta por não encontrar roupa na sua numeração; você nunca vai ter toda uma sociedade apontando os dedos para opinar sobre sua "saúde", mesmo desconhecidos no meio da rua — o que não passa de uma desculpa fajuta para disfarçar o nojo que sentem do seu tamanho;
  • "Você está comendo muito, já pensou em fechar a boca?": este tipo de fala é tão, mas tão problemático, porque você não sabe se a pessoa do outro lado tem algum transtorno de ansiedade, não sabe se tem algum distúrbio alimentar (PASMEM: não é preciso estar magra para estar sofrendo com anorexia ou bulimia) ou se aquela é a única refeição do dia dela; na maior parte do tempo, você já pensou em fechar a boca e não dar pitaco em algo que não lhe diz respeito?
  • "Hoje em dia, só não emagrece quem não quer": ha-ha-ha; existem mil e um fatores que podem fazer com que uma pessoa engorde (já ouviu falar em remédios contra a depressão, por exemplo?) ou não consiga emagrecer; a fórmula exercícios + comer de forma saudável nem sempre funciona pra todo mundo, afinal, cada um tem um histórico familiar e de metabolismo diferente; é muito confortável para você, no seu pedestal magro, apontar o dedo na cara de quem não consegue emagrecer e chamar essa pessoa de preguiçosa; já lhe ocorreu que talvez nem todo mundo possa comer de forma saudável? já observou o preço da alimentação saudável nos supermercados? quanto você paga mensalmente numa academia? já parou para pensar que talvez, só talvez, nem todo mundo tenha a mesma disponibilidade de tempo e dinheiro? Além de gordofóbico, este é um discurso classista e capacitista; que bela porcaria de se dizer;
  • "Você tem um rosto tão lindo, se emagrecesse seria maravilhosa": é impossível dizer somente que sou bonita? Dói? E quem foi que disse que eu quero emagrecer, aliás? Não posso me achar maravilhosa enquanto gorda? Isso te ofende? Que ótimo.
  • "Adoro fazer gordice *foto de brigadeiro com a amiga* #projetoverão #vaigordinha": eu não consigo expressar em palavras o quão DECEPCIONANTE é ver este tipo de coisa, porque vem logo de mulheres, que deveriam ser conscientes do quão tóxico este discurso é; fazer "gordice" não existe, porque não são só gordas que gostam de comer porcaria, como eu já disse ali em cima, mas aparentemente só magras estão permitidas a fazerem isso; se intitular "gordinha" e dizer que vai comer um brigadeiro, enquanto magra, é super aceitável, todo mundo vai rir e comentar na sua foto que você é magra, linda, pode comer o que quiser (o mais cruel é que, na maioria das vezes, eu acho que é exatamente isso que você espera ouvir ou ler); uma menina gorda não pode fazer o mesmo; ninguém vai rir se ela fizer isso; vão julgar e dizer que ela deveria "se cuidar" mais; entende a babaquice de tudo isso?

Não é tão difícil tomar responsabilidade pelo próprio discurso. É honesto, bonito, e evita que você ofenda as pessoas. Reconhecer privilégios é o que torna a caminhada menos complicada, porque de inimizade em comum basta o patriarcado e o capitalismo.

Minha experiência pessoal pouco importa, eu sou só mais uma — e, ainda assim, sei que poderia ser muito, muito pior; já imaginou se eu fosse pobre e negra, além de gorda? Aliás, hoje, eu não digo mais que sou gorda. Não acho que seja — e dizer que sim seria irresponsável e injusto com as minhas amigas verdadeiramente gordas. Tem lugar pra mim por aí hoje, até em lojas de departamento eu encontro algumas coisas. Pra elas, nem sempre. A sociedade não está pronta para lidar com pessoas gordas. Não há lugar para pessoas gordas. Ninguém quer saber da sua saúde: o que importa é que você é gorda. 

Eu só espero que haja lugar para as minhas amigas gordas neste feminismo, seja ele qual for. Sejamos aliadas em nossas diferenças ou não sejamos.
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